História do Pastor Branco Suíço

No fim do século passado, a sociedade alemã “Phylax” interessava-se pelos cães pastores, e eram trabalhados com o objectivo de melhorar as suas capacidades. De entre os animais que a sociedade achava digno de interesse, já faziam parte exemplares de cor clara, até branca.

1906 Young bitch

1913 - Berno von der Seewiese

Um oficial da cavalaria prussa, o Capitão Max Von Stephanitz, que era membro desta sociedade, desejava obter um cão ideal, um cão polivalente capaz de sobressair-se em todas as disciplinas. Para concretizar o seu sonho, adquiriu então Hektor Linkstein, um cão bastante dotado, que foi utilizado num vasto programa de intensa selecção. As suas ponderadas investigações genéticas e o seu rigor no trabalho, permitiram-lhe alcançar com rapidez a criação de um cão a altura das suas esperanças. Este cão, de porte nobre e marcial, aliando, a sua inteligência maleável, foi o protótipo de uma nova raça que durante muito tempo será uma referencia de entre as outras e que se propagará a grande escala no mundo: o Pastor Alemão.

Hektor Linkstein

 
Capitão Max Von Stephanitz

Os primeiros adeptos deste exemplar excepcional juntaram-se ao capitão para fundarem em 1899 a “ Verein fur Deutsche Schaferhunde “ (Sociedade para a defesa dos Pastores Alemães, mais tarde designada com as iniciais V.S), que se tornou a mais importante e a mais influente das sociedades cinófilas, pela superioridade numérica dos seus “protegidos”. A Verein fur Deutsche Schaferhunde não parou de melhorar as qualidades intrínsecas da raça apoiando-se em regras de criação e de selecção muito rigorosas.

Rin Tin Tin and family

Robert of st John - Postcard

 

No entanto, Max Von Stephanitz não estava predisposto a discriminação relativamente as diferentes cores da pelagem do Pastor Alemão, a primeira finalidade do seu empreendimento sendo a criação de linhagens que tivessem uma grande propensão ao trabalho.

Só foi depois da sua morte que a V.S., adopta uma política de rejeição categórica ao encontro dos cães brancos, alegando erroneamente serem albinos degenerados e portadores de doenças genéticas. Desde então, estes ex-Pastores Alemães caídos em desgraça são considerados como simples “bastardos”, e grande parte dos criadores tomam o hábito de eliminar ao nascimento estes infortunados cachorros, que eram brancos.

Paradoxalmente, a brancura imaculada destes cães confere-lhes um importante poder de sedução, eles já tinham encontrado o seu publico.

A ideia era não os deixar desaparecerem, assim faz Anne Tracy do Minesota (USA) que, em 1917, através do seu cão Stoni Hurst Edmond, produz cachorros que se espalham pelo pais e até no Canada, como também H.N. Hanchett de Minneapolis que, em 1920, começa a importar Pastores Brancos.

Anne Tracy

Os Pastores Alemães Brancos, criados a margem, por via de consequência, constituem pouco a pouco uma raça distinta. No início dos anos 60, a popularidade crescente ocasiona um conflito inevitável com os seus detractores – os criadores de Pastores Alemães “tradicionais” – que os consideram concorrentes.

Em 1964, o primeiro Clube da raça nasce na Califórnia (USA) em Sacramento, mas em 1968, o A.K.C. (American Kennel Club), em colaboração com o clube do Pastor Alemão, elimina os Pastores Brancos das exposições. Em reacção, outros amadores organizam-se a semelhança de Sacramento, e fundam em 1969 nos USA, e em 1971 no Canada, novos clubes mais eficientes na defesa destes cães.

Em 1980, o Clube Canadiano do Pastor Alemão faz pressão para proibir aos Pastores Brancos o direito de participar nas manifestações cinófilas. Esta tentativa em parte falha. Mas desde aí, além mar, os Pastores Brancos são admitidos a participar nas provas de trabalho, em contrapartida, eles são excluídos dos concursos de Beleza, o que não deixa de surpreender.

Em 1980 e 1982, Pastores Brancos são importados na Alemanha, mas foi na Suíça que a primeira ninhada europeia é oficialmente registada. A partir de 1985, a raça irradia rapidamente para a maioria dos países da Europa.

Em 1991 uma primeira acção é tomada pela Suíça, a SCS publica o primeiro estalão oficial da raça. Os Países Baixos seguem em 1992. No mesmo ano é criado o Clube Francês do Pastor Branco – C.F.B.B – pela França, e com a ajuda dos clubes de Pastores Brancos europeus inicia-se uma maratona para o reconhecimento da raça (A S.C.C tinha por objectivo o reconhecimento oficial pela FCI). Em 1999, a Republica Checa, a Dinamarca e Áustria seguem os outros países europeus.

Por fim, é em Dezembro de 2002, que após inúmeras acções junto á FCI, que oficialmente o Pastor Branco é reconhecido sob a denominação Pastor Branco Suíço, pela circular 87/2002 de 18/12/2002 – Standard FCI 347/18.12/2002/F.